Seja bem-vindo ao Camille Razat Brasil, sua única e melhor fonte sobre a atriz no mundo! Aqui você encontrará informações sobre seus projetos, campanhas e muito mais, além de entrevistas traduzidas e uma galeria repleta de fotos. Somos um site não-oficial, feito de fã para fã, e sem fins lucrativos, portanto, não temos nenhum contato com a sua família ou seus agentes.

Camille Razat foi a capa da iO Donna Italy Magazine na edição de dezembro de 2021 e a mesma deu uma entrevista excelente com um belíssimo photoshoot. Confira a tradução na íntegra:

“A primeira pergunta que te fazem hoje nas audições é: quantos seguidores você tem? Mas eu não estou lá”, diz a co-estrela de “Emily in Paris”. Ela não abre mão de sua originalidade, como Gérard Depardieu à aconselhou.

Camille Razat acredita nos sinais do destino. Afinal, o sucesso internacional veio com uma personagem que leva seu nome – Camille – na série da Netflix, Emily in Paris, cuja personagem principal (Lily Collins) tem seu nome do meio, Emilie. “Quando descobri, tomei como uma profecia!” diz ela, que – mais do que etérea – é transparente, não só pela pele diáfana e cores muito claras, mas também pela extrema honestidade com que se diz. Aos 27 anos ela já entendeu que é mais importante ser honesta do que buscar a aprovação de todos: Gérard Depardieu, um dos grandes atores com quem atuou e que, como ele nos dirá nesta entrevista, deu-lhe uma mão, deu-lhe o conselho certo.

Camille Razat entre o cinema e a moda;

Ela chegou aos 20 anos atuando e o último filme em que aparece, “Les Choses Humaines”, baseado no romance de Jarine Tuil, esteve em competição no último Festival de Cinema de Veneza. Mas como modelo ela foi ainda mais precoce: tinha apenas dois anos quando posou para um anúncio de uma rede de supermercados francesa, no meio de uma montanha de ursos. Na adolescência, ela já era um rosto conhecido no mundo da moda, apesar de ter um metro e oitenta de altura e “nunca estar abaixo do peso”, como ela mesma diz. A L’Oréal, que a escolheu como embaixadora, e a Roger Vivier, uma casa de acessórios de luxo, se apaixonaram por sua beleza clássica, que queria que ela apresentasse sua última coleção de joias. “Camille é um grande talento emergente”, disse o diretor criativo de Roger Vivier, Gherardo Felloni, “ela tem uma beleza misteriosa e ao mesmo tempo fresca e animada”.

iO Donna Italy: Camille, você esperava o sucesso da série Emily in Paris?

Camille Razat: Não, mesmo sabendo que a Netflix pode transformar você em uma estrela internacional em um segundo. Sou tímida, tinha medo de ser reconhecida na rua: felizmente – por assim dizer – quando a série começou a fazer sucesso já estávamos todos usando máscaras.

IDI: O público parece preferir sua personagem ao da protagonista.

CR: É verdade, mas Camille tem uma vida fácil porque é ensolarada e sabe, e não faz mal a ninguém. Emily é mais complicada, mas eu gosto dela porque ela é uma garota assertiva que faz escolhas determinadas, mesmo ao custo de errar, e não tem medo de mostrar seu lado sombrio.

IDI: Haverá também um lado sombrio para Camille na segunda série, na Netflix a partir de 22 de dezembro?

CR: Sim, felizmente! (Risos). Ela vai ficar mais forte, e menos disposta a levar um tapa da vida: lembre-se que no final da primeira série Emily transou com o namorado…

IDI: O que você faria em uma situação semelhante?

CR: Eu ficaria furiosa! E eu provavelmente ficaria mais brava com meu amigo do que com meu namorado, mesmo sabendo que é injusto.  Muitas vezes somos mais tolerantes com homens do que com outras mulheres, por algum motivo

IDI: Você é amiga de Lily Collins/Emily na vida real?

CR: Nos damos muito bem, mas moramos em extremos opostos do oceano, e é difícil para mim me definir como amiga de uma pessoa que infelizmente não posso ver sempre.

IDI: O quanto sua vida mudou com o sucesso da série?

CR: Meu perfil no Instagram explodiu: em um momento passei de 30 mil para 600 mil seguidores, e minha agência recebeu uma avalanche de ligações, depois que meu trabalho de modelo definhou por algum tempo.

IDI: Mas parece que os franceses, principalmente os parisienses, se ofenderam com o retrato estereotipado na série.

CR: Emily in Paris não quer ser um retrato realista de Paris, assim como Sex and the City, cujo criador é o mesmo, Darren Star, não queria representar a verdadeira Nova York. Havia muitos estereótipos ali também, mas serviram para dar um tom bem-humorado à série, e aquela leveza que, no caso de Emily in Paris, serviu em um momento sombrio como a pandemia. Acho que para as meninas trancadas em confinamento solitário, sem poder frequentar a escola ou encontrar amigos, a série foi uma agradável fuga da realidade.

IDI: Em qual faculdade você se formou?

CR: Eu me formei em literatura, e as minhas melhores notas eu tirei em filosofia. Devia ter me formado em jornalismo: queria ser repórter de guerra, porque não suporto injustiças, e queria fazer minha parte denunciando-as. Além disso, adoro situações de bombeamento de adrenalina! Mas quando eu tinha 18 anos tirei um ano sabático para frequentar uma escola de atuação: de um ano eles se tornaram dois, depois três… E o resto é história.

IDI: Existe mais algum ator na família além de você?

CR: Ninguém! Em Toulouse, a cidade onde nasci e cresci, meu pai trabalha na indústria da aviação e minha mãe o ajudava como secretária. Mas os dois sempre me incentivaram a fazer o que eu queria, ainda que com atitudes diferentes, de policial mau e policial bom. Meu pai me dizia: “Vá para vencer ou nem comece!”;  minha mãe suavizou: “Não se preocupe se você não ganhar hoje, isso significa que você vai ganhar amanhã”. Com meu primeiro salário de atuação, eu lhe comprei um monte de peônias.

IDI: Qual é a diferença entre posar para um ensaio de moda e atuar?

CR: Posar significa fingir ser a garota mais bonita e sedutora do mundo, o que sempre foi difícil para mim. Aos 15 anos me comparava à outras modelos, todas mais altas e mais magras do que eu, me sentindo inferior, e sofri com isso.  Com a atuação, por outro lado, tento comunicar algo autêntico, sem me preocupar com minha aparência física.

IDI: Quem lhe ensinou isso?

CR: Gérard Depardieu, que me disse: “se alguém te disser que não gosta de você, não se importe e vá em frente.”

 IDI: E o que a sua tatuagem “keep walking” (continue andando) significa?

CR: Eu fiz isso porque tinha acabado de perder um ente querido e estava com dificuldade de continuar. Tatuei a frase para me dar coragem.

IDI: No local da coleção de joias Roger Vivier, foi recitado um poema de Baudelaire.

CR: Isso também era um sinal. Quando menina, Baudelaire era meu poeta favorito, e eu já sabia aquele poema de cor.

IDI: Já teve vontade de roubar algumas roupas do set de Emily em Paris (a figurinista é a mesma de Sex and the City, Patricia Field)?

CR: Muitos, mas em particular uma camisa branca com gola imensa, combinada com uma jaqueta curta e um par de 12 sapatos de salto.

IDI: Qual é o seu estilo de roupa?

CR: Clássico, mas sempre com um toque de loucura!

IDI: Me dê um exemplo.

CR: Se uso tudo preto gosto de adicionar uma cor forte ou um detalhe com glitter, se uso unha – tenho dezenas delas, usadas ou veganas – e as Doc Martens combino com a tiara Vivier com estrelas e Swarovski e sua bolsa com strass, e eu imediatamente passo de “chata” para “uau!”

IDI: Quem são seus ícones de estilo?

CR: A cantora francesa Soko e Kate Moss, que sempre foi clássica e rock ‘n roll ao mesmo tempo, e que é tão alta quanto eu! Também sigo uma influenciadora interessante, Courtney Trop, cuja conta é @alwaysjudging.

IDI: Você também se considera uma influenciadora?

CR: Alguém me chamou assim por conta do número de meus seguidores, mas não gosto da ideia de influenciar os outros, prefiro convidá-los à serem a melhor versão possível de si mesmos. Eu mesma tento não seguir muito as redes sociais, também porque sei como as fotos do Instagram são construídas e irreais. Mas a conta social se tornou essencial para o meu trabalho como atriz. Hoje a primeira pergunta que te fazem nas audições é: “Quantos seguidores você tem?”

IDI: Li que você estava escrevendo um roteiro…

CR: Eu tentei, mas falhei miseravelmente! (Risos). Não quero desistir da ideia, mas o que escrevi ficou muito ilegível. Gostaria de poder escrever um roteiro como o de Le Coseuman, que consiga lidar com um tema difícil como o da violência sexual sem banalizá-lo, restituindo toda a sua complexidade

IDI: Você sente a necessidade de criar seus próximos papéis sozinha?

CR: Digamos que os papéis femininos na minha faixa etária sejam escassos. Você está muito avançada em idade para ser menina e muito jovem para ser mãe.

IDI: Você está pensando em se tornar uma mãe na vida?

CR: Não quero ser mãe! Muitas jovens atrizes hesitariam em dizer isso tão abertamente. Mas essa é a verdade. Acho que se tornar mãe é uma grande conquista, mas não é para mim.

IDI: Você tem algum companheiro?

CR: Sim, por 7 anos! Um fotógrafo incrível, Etienne Baret, que entre outras coisas assinou a última campanha da Roger Vivier. Na minha opinião ele é um gênio, e espero que o resto do mundo perceba. (Risos). Neste momento estamos decorando a nossa nova casa e estou gostando muito! Descobri que também tenho alma de uma designer de interiores.

Tradução: CRBR | Fonte.

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